Artigos

O corpo humano trabalha sem parar: são 24 horas por dia, sete dias por semana, minuto a minuto produzindo, restaurando, reparando... Não é à toa que muitos dizem que é a máquina mais perfeita de todas as máquinas.

Uma das capacidades mais interessantes do corpo é a de se regenerar, de tirar o que está ‘velho e gasto’ e dar lugar ao ‘novo e forte’. Isso acontece, por exemplo, com os ossos. Dia após dia um conjunto de células realiza o trabalho de absorver as áreas envelhecidas e danificadas dos ossos, abrindo espaço para a nova massa óssea. 

Até mais ou menos os 30 anos de idade, esse processo acontece de maneira regulada e contínua. Por diversos motivos, após a terceira década de vida é comum que esse processo entre em instabilidade. Ou seja, o equilíbrio do trabalho das células que atuam na regeneração dos ossos é comprometido, diminuindo a densidade de massa óssea – tornando os ossos mais fracos e quebradiços. Talvez você logo associe essa informação à osteoporose, a ‘doença dos ossos’ mais conhecida e comentada. Mas, o que muitos não sabem é que existe uma condição que costuma preceder a osteoporose: a osteopenia.

O que é a osteopenia?

Existe uma margem de perda dessa densidade que é considerada normal por conta dos fatores inerentes, como o envelhecimento. Quando essa margem cresce e vai deixando os ossos mais porosos e fracos, ocorre a osteopenia. A condição se caracteriza, basicamente, por uma redução significativa da densidade do osso.

A osteopenia está, então, entre a densidade óssea normal e a osteoporose, quando o metabolismo ósseo é muito afetado e a perda de massa é muito grande. Pode-se dizer, então, que a osteopenia funciona como um alerta para a osteoporose.

Quais as causas?

Um dos fatores mais comuns da osteopenia é o próprio envelhecimento. Como dito, após os 30 anos é natural que haja um desarranjo no sistema de regeneração óssea. Algumas pessoas podem acabar desenvolvendo a condição simplesmente por isso. 

Mas é bastante comum que outros fatores de risco estejam associados. Hábitos de vida pouco saudáveis, como o sedentarismo, tabagismo e uma alimentação pobre em certos nutrientes e vitaminas costumam levar ao enfraquecimento ósseo.

Além disso, o histórico familiar de osteopenia e osteoporose também costuma estar associado. É comum que pessoas que possuem familiares que apresentaram a condição e/ou a doença as desenvolvam.

Mulheres

Existe um grupo específico que deve redobrar a atenção quando se fala em osteopenia, principalmente para evitar que ela evolua para osteoporose: o grupo das mulheres no período da menopausa e pós-menopausa.

A maior parte de pessoas portadoras de osteoporose é composta por mulheres, e não seria diferente com a osteopenia, já que ela é uma espécie de ‘aviso’ para a doença. A razão para isso está no fato de que na menopausa ocorre uma diminuição brusca na liberação de estrogênio no corpo feminino. Esse hormônio atua significativamente no processo de regeneração óssea da mulher e a falta dele acaba acelerando o processo de perda de massa do osso.

Como diagnosticar e tratar a osteopenia?

Identificar a osteopenia é uma tarefa difícil, já que ela não costuma apresentar sintomas. Em muitos casos, os pacientes só identificam a condição quando há alguma fratura aparentemente sem causa. Como ela ainda não é ‘tão grave como a osteoporose’, muitas pessoas só suspeitam que tenham tido a condição quando já desenvolveram definitivamente a osteoporose, que é capaz de causar fratura do quadril em pacientes idosos dentre muitas outras alterações no corpo.

Por isso, mulheres na menopausa e na pós-menopausa, homens idosos e pessoas com histórico de osteopenia e osteoporose na família, ou seja, integrantes do grupo de risco, devem manter um acompanhamento constante com o médico ortopedista.

Para avaliar a perda da massa óssea e verificar se ela está normal ou se já chegou ao nível de osteopenia, o especialista realiza um exame chamado densitometria óssea. Ele vai medir, basicamente, a densidade do osso e verificar se ela está ou não nos padrões de normalidade.

As primeiras medidas para tratar a osteopenia são as mesmas que podem ajudar a preveni-la. Praticar atividades físicas é uma dica bem importante, uma vez que ajuda no fortalecimento ósseo. Em paralelo, é essencial reavaliar os hábitos alimentares – sempre com acompanhamento de um nutricionista. A falta de cálcio, nutriente presente nos ossos, é um dos fatores mais prejudiciais para o processo de regeneração constante do osso. O mesmo acontece com a vitamina D, item que auxilia na absorção do cálcio, que deve ser incluída na alimentação e também é adquirida pela exposição ao sol.

Em alguns casos, o médico ortopedista pode indicar também o uso de medicamentos específicos, inclusive para aumentar a ingestão de cálcio e vitamina D ou para reposição hormonal. Tudo vai depender da gravidade de cada caso e da resposta ao tratamento apresentada pelo paciente.

A osteopenia sempre evolui para osteoporose?

Uma boa resposta para essa pergunta: não. Em muitos casos é possível impedir que a osteopenia “vire” osteoporose. Inclusive, é possível até reverter o quadro de osteopenia. Para isso, é preciso seguir adequadamente as recomendações e manter um acompanhamento médico constante.