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Quem acompanha futebol regularmente já está familiarizado com a pubalgia. Afinal, muitos atletas profissionais desfalcam sua equipe por semanas, em detrimento dessa lesão no púbis. Mas, afinal, o que é o púbis, e por que a lesão acomete frequentemente os boleiros, entre outros atletas?

Para melhor compreensão, é necessário entender mais sobre esse tipo de desconforto. De forma geral, a pessoa que sofre com dor no púbis sente forte incômodo na realização de atividades corriqueiras, como subir e descer escadas, ou em ações como saltar.

Em muitos casos, essa dor pode se espalhar para os músculos localizados na parte interna das coxas, conhecidos também como adutores. 

O que é e onde fica o púbis? 

O púbis é nada mais que um dos ossos responsáveis pela inserção e tração de várias forças musculares. Acima da articulação que compõe esse osso, conhecida também como sínfise púbica, localizam-se os músculos abdominais. Logo abaixo do osso púbis encontram-se os músculos adutores. 

A inflamação na sínfise púbica ocorre justamente quando há um esforço excessivo em pelo menos um desses grupos musculares. Seja o abdominal, sejam os adutores do quadril. Essas compensações ocorrem, sobretudo, em atletas do sexo masculino que executam regularmente movimentos que demandam muita força. 

Por isso notícias de jogadores de futebol acometidos por lesão no púbis são tão constantes. Isso acontece porque os atletas realizam movimentos bruscos durante o treino e, ainda, nas próprias partidas. Um exemplo é o ato de chutar a bola com a parte interna do pé, que pode causar descompensações musculares.  

Um dos casos mais famosos ocorreu com o jogador Kaká, que teve que se ausentar por meses por conta de uma inflamação no púbis.

Além do futebol, praticantes de outras modalidades esportivas podem ser acometidos pela lesão. É o caso de corredores, que praticam atividades em locais com chão irregular, tal como montanhas e estradas. Os pisos desnivelados causam esforço excessivo do púbis, e de todos os seus grupos musculares adjacentes.

A fraqueza desses músculos, resultante do excesso de exercícios, é preponderante para o surgimento do problema. 

Sinais da pubalgia 

Apesar de ocorrer mais entre atletas de alto desempenho, as causas da dor no púbis são multifatoriais. Elas derivam de uma série de razões atribuídas a sobrecarga de exercícios. A maior incidência de desconforto pode ser constatada na região adutora, sendo seguida por uma dor ao redor da sínfise púbica.

E isso pode acometer tanto o púbis masculino, quanto o púbis feminino, mesmo que o primeiro caso seja mais frequente. Além do mais, muitas vezes a dor se irradia na parte baixa do abdômen, quadril e até na bolsa escrotal. Em virtude da inflamação do osso púbico, o paciente também pode sentir queimação na virilha, e menos potência e força durante a prática esportiva. 

Tratamento 

Além de ser uma das lesões mais recorrentes em atletas, correspondendo a 10% das incidências, a pubalgia é considerada uma patologia progressiva que causa inflamação e dor no púbis, na cartilagem, ligamentos e tendões que contornam a sínfise púbica. Por isso o tratamento dessa condição se faz necessário junto a um profissional qualificado, principalmente para quem trabalha com esporte.

Para quadros mais brandos, recomenda-se repouso absoluto, além da administração de analgésicos e anti-inflamatórios. Por motivos óbvios, a pessoa será afastada das atividades físicas, até que o quadro de dor e a inflamação amenizem.

O tratamento com fisioterapia pode ser realizado dentro do prazo de seis semanas para atletas profissionais. Já para quem pratica esportes de forma recreativa, o período se alonga por cerca de três meses. Se o paciente não obtiver resultados satisfatórios e a fraqueza muscular associada à dor permanecer, será necessária uma intervenção cirúrgica.

Métodos mais alternativos indicam que a radioterapia em doses anti-inflamatórias no osso púbis, garante sucesso e mais rapidez no tratamento da lesão.

Já a reabilitação pós-cirúrgica, não se utiliza do auxílio de muletas e, tampouco, ultrapassa o período de três semanas de repouso absoluto. De forma geral, após o término desse período, o paciente já pode retomar gradualmente algumas atividades físicas.

A recuperação absoluta do paciente acometido por pubalgia, normalmente ocorre de dois a quatro meses após o procedimento cirúrgico.