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O quadril é a articulação que liga a coxa, ou o fêmur – nosso osso mais longo e pesado –, à bacia. Assim como qualquer outra articulação do corpo que seja responsável por parte de nossa sustentação ou faça bastante movimento, o quadril é uma região delicada e que está sujeita a muitas lesões. Por isso, é importante destacar que apesar das lesões na região serem comuns, elas também podem ser muito graves.

A dor no quadril pode acontecer por uma série de motivos, podendo ser causada por alterações ósseas, acidentes traumáticos e impactos de qualquer gravidade, mas nem sempre está necessariamente ligada ao quadril ou apenas a ele. A dor no quadril pode se originar de um problema na coluna, por exemplo, e, em alguns casos, se estender também para a coluna, para a coxa ou ainda a virilha. Também é bastante comum a dor no quadril que irradia para a perna, além das demais partes já citadas.

Apesar de poder ser sentida por qualquer pessoa, inclusive crianças, a dor no quadril costuma aparecer com mais frequência após os 40 anos e em mulheres – no segundo caso, as dores também podem estar ligadas ao período menstrual ou à gravidez, em gestantes. Além disso, pessoas que praticam esportes de alto impacto podem, da mesma forma, estar mais suscetíveis ao sintoma e correrem mais risco de sofrer uma lesão.

A dor no quadril pode ter diferentes origens, causas, localizações e pode ser pontual, duradoura, espontânea ou até só perceptível na realização de algum movimento, como andar, sentar ou correr. Em qualquer que seja o caso, é recomendável a procura por um médico ortopedista especialista em quadril, principalmente quando as dores são muito fortes, impossibilitam o paciente de se movimentar de alguma maneira, são recorrentes ou duram por pelo menos um mês.

Dor no quadril: o que pode ser?

Seja a dor específica ou a dor no quadril que irradia para a perna, coxas, coluna ou virilha, o sintoma pode indicar uma fratura do quadril. As fraturas geralmente são provocadas por um impacto e, em casos mais graves, podem ainda estarem ligadas a uma osteoporose – doença que deixa as pessoas mais suscetíveis a uma fratura do osso, mesmo que em atividades rotineiras simples.

Apesar de ser muito frequente, dependendo da gravidade a fratura pode chegar a trazer complicações que oferecem risco de morte, como um coágulo de sangue na perna ou até uma pneumonia. Em alguns casos, pode ser necessário partir para uma artroplastia de quadril – nome da cirurgia feita no local.

Além da fratura, a dor no quadril pode ter ainda diversas outras causas, como uma lesão do labrum acetabular, estrutura que reveste a parte interior do quadril ou acetábulo, onde o fêmur se encaixa; uma artrite – inflamação de uma ou mais articulações da região – que é muito frequente nas mulheres, principalmente a partir dos 40 anos, e pode ser bastante perigosa; a artrose no quadril, que pode ser consequência de uma Síndrome do Impacto no Quadril e ocorre quando o tecido flexível que temos entre um osso e outro se desgasta; a bursite no quadril, quando a bolsa que fica entre os tecidos no interior do quadril e que ajuda a reduzir o atrito entre eles, inflama; tendinite – inflamação nos tendões que, diferente da bursite, é mais comum entre as mulheres mais jovens; luxação do quadril, quando o osso se desloca da posição original; alguma dor lombar, como a ciática; tensão, torção ou até infecção nas articulações da região.

As causas citadas acima estão entre as mais comuns, mas ainda podem haver outras tão quanto ou ainda mais graves como é o caso das próximas doenças listadas. A Polimialgia Reumática, por exemplo, que afeta todas as articulações do quadril, costuma aparecer em muitas pessoas idosas e piorar com o tempo; ou ainda a osteonecrose, que é a necrose da cabeça femoral ou cabeça do fêmur – esta acontece quando o fluxo de sangue no osso fica limitado e, dessa maneira, provoca a morte do tecido ósseo. A osteonecrose pode ser causada por lesões, luxação do quadril ou uso de medicamentos esteroides. Já a Síndrome do Piriforme, também muito grave, é causada pela hipertrofia do músculo piriforme, localizado no quadril, e pode ser resultante de uma inflamação no nervo ciático.

Há ainda a Pubalgia, famosa entre os atletas e que se caracteriza em especial pela dor na virilha ou na região central do púbis. A doença acontece quando há um desequilíbrio de força entre os músculos abdominais e os músculos adutores do quadril e isso acaba provocando a inflamação de uma articulação que fica entre o osso púbis direito e o esquerdo, chamada de sínfise púbica.

Diagnósticos, tratamentos e prevenção

Ao sentir qualquer dor intensa na região, principalmente no caso de recorrência ou de dores que demoram a desaparecer, é recomendável a procura por um médico ortopedista especialista no quadril. O profissional realizará uma série de exames para se chegar a um diagnóstico detalhado do problema.

No geral, a dor no quadril, como explicado acima, pode ser causada por uma infinidade de fatores e apenas um profissional adequado poderá identificar a real gravidade do sintoma e as possíveis complicações. Depois do diagnóstico, o tratamento pode ser feito por meio de analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides ou outras medicações específicas e pode ser necessário, em alguns casos específicos, a artroplastia de quadril ou cirurgia de quadril.

Além do tratamento com a medição ou do tratamento cirúrgico, há uma série de medidas que podem ser tomadas tanto para tratar os sintomas durante a recuperação, como para evitar reincidências e prevenir a dor no quadril: fazer alongamentos antes e depois de realizar quaisquer atividades e exercícios físicos; praticar corrida apenas em superfícies regulares e horizontais e com tênis adequado; utilizar sapatos baixos, confortáveis e com bom sistema amortecedor; e tomar cuidado com a posição na hora de dormir, evitando passar muitas horas em posições que causam desconforto na região. Também vale ficar ligado e tomar muito cuidado com sobrepeso, que pode acabar fragilizando o quadril.