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O que é a Epifisiólise?

A Epifisiólise é uma doença pouco conhecida e que atinge o quadril de crianças e adolescentes durante a puberdade ou fase de crescimento, justamente por conta do crescimento acelerado que é comum desse momento. Por não ser uma doença muito popular, os sintomas da Epifisiólise – basicamente dor no quadril e região – são facilmente confundidos com dores musculares ou ósseas comuns ou ainda com outras condições pouco mais conhecidas como a Necrose da Cabeça Femoral ou a Sinovite Transitória do Quadril, que também acometem crianças, apesar da faixa etária mais atingida ser um pouco diversa.

A Epifisiólise se trata de uma alteração anatômica normal na articulação do quadril, mais precisamente entre a cabeça e o colo do fêmur. Essa alteração é caracterizada pelo alargamento e enfraquecimento da placa de crescimento do fêmur, o que causa o deslocamento do colo do fêmur em relação à parte chamada de epífise femoral ou simplesmente bacia.

Por se tratar de uma doença progressiva, o verdadeiro perigo da Epifisiólise está no diagnóstico tardio. Por isso, é muito importante que haja muita atenção aos sintomas da Epifisiólise, bem como qualquer dor ou dificuldade de realizar movimentos na região do quadril, coxas e joelhos, no caso de crianças que estão no período pré-puberal ou puberal – ou seja, na fase da pré-adolescência ou na adolescência.

Vale lembrar que a Epifisiólise sempre ocorre durante a fase de crescimento, antes do fechamento da placa de crescimento ou de seu término.

Quais as causas?

Não se sabe ao certo quais as causas específicas da Epifisiólise, mas existem algumas suspeitas e, principalmente, algumas situações que podem colaborar para seu aparecimento. Geralmente, o distúrbio está ligado a um desequilíbrio endócrino, como microtraumas ou mesmo a uma obesidade ou magreza excessiva. Isso acontece por conta da descarga de determinados hormônios do corpo ainda mais intensa durante a puberdade, que podem acabar provocando o enfraquecimento da placa de crescimento.

​Facilmente confundida com dores musculares e ósseas, a doença acomete crianças e adolescentes na faixa dos 10 aos 14 anos

Quem faz parte do grupo de risco?

Por conta dos mesmos motivos explicados acima, fazem parte do grupo de risco quaisquer crianças entre 10 e 14 anos mas, principalmente, crianças obesas, muito magras ou altas ou crianças que sofreram um crescimento muito abrupto. A Epifisiólise ocorre tanto em meninas quanto em meninos, mas é relevante lembrar que pode atingir as meninas mais precocemente – já que o período pré-puberal ou puberal costuma acontecer antes dos meninos.

Há ainda estudos que falam sobre uma maior chance de aparecimento da Epifisiólise em crianças negras.

Quais os sintomas?

A Epifisiólise pode se manifestar no paciente de duas principais diferentes maneiras: crônica ou aguda. No caso da Epifisiólise crônica, ocorre uma inflamação e a dor costuma aparecer na face interna da coxa até o joelho, camuflando a doença e parecendo se tratar de um caso traumático do dia a dia. Deve haver a suspeita sempre que o adolescente não apresentar histórico de trauma.

Já a Epifisiólise aguda, costuma se manifestar com uma dor no quadril aguda, súbita, intensa e muito persistente, também podendo se irradiar para as coxas e joelhos. É comum que o paciente apresente dificuldade para andar ou simplesmente se apoiar no quadril e outros membros inferiores.

Há casos em que ocorre a combinação dos dois tipos, possivelmente sendo desencadeada por algum trauma leve, ou ainda em que o paciente não apresenta nenhuma dor. Seja qual for a manifestação, quando ela ocorre é importante procurar imediatamente por um médico ortopedista que possa fazer o diagnóstico correto.

Diagnóstico

Como foi dito no início, a agilidade do diagnóstico pode ser decisiva para a Epifisiólise, evitando quadros mais graves, com dor no quadril e região muito mais forte ou críticas consequências futuras. Em caso de suspeita, deve-se procurar imediatamente pelo médico ortopedista que fará o diagnóstico por meio de um exame clínico simples, que deve sempre ser feito com a criança deitada, e uma radiografia, a fim de comparar os dois lados da bacia. Na maioria das vezes, não há necessidade de exames de imagem mais sofisticados.

O médico poderá ainda levantar alguns dados do histórico do paciente para confirmar a suspeita, antes de partir para o exame físico e o estudo radiológico.

Quando não diagnosticada logo na fase inicial, a Epifisiólise apresenta riscos como uma possível artrose no quadril ou até mesmo deformidades para o paciente na fase adulta.

Como tratar Epifisiólise?

O desempenho do tratamento da Epifisiólise e a boa recuperação também dependem do diagnóstico precoce, que garante resultados muito melhores. Em todos os casos, o único tratamento possível da doença, porém, é o cirúrgico, por meio da Cirurgia do Quadril.

Em casos mais simples, em que o diagnóstico é feito logo na fase inicial da Epifisiólise, o problema pode ser resolvido por meio de uma simples Epifisiodese – que nada mais é do que uma cirurgia muito rápida e segura para a fixação de um parafuso entre a cabeça e o colo do fêmur. Já em outros, pode ser necessária uma Osteotomia, para retirar parte do fêmur e então conseguir reposicionar sua cabeça e colo.

Após a cirurgia, o paciente deve ficar ainda em alerta e com acompanhamento médico por alguns meses, fazendo sessões de fisioterapia e outros tipos de exercícios que vão auxiliar na recuperação completa da articulação, bem como os movimentos naturais do corpo.