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Lesões de quadril em atletas

Uma das articulações mais exigidas durante a atividade física é a do quadril. Também não é por menos. Além da região suportar cargas até oito vezes superiores ao peso corporal do indivíduo, a articulação tem a função de ligar as pernas aos troncos. Tamanho esforço pode acarretar em uma série de lesões que, entre outras coisas, causa intensa dor no quadril e alteração significativa na marcha.

O desgaste em atletas pode ser evidenciado, principalmente, em atividades com grande amplitude de movimentos. Futebol, tênis, artes marciais, salto, corrida, golfe e ginástica olímpica são algumas delas.

Apesar de ser um tipo menos frequente de lesão, se comparado com os membros inferiores, o quadril pode manifestar uma série de problemas para esportistas. Todavia, o diagnóstico da lesão pode ser complexo, já que dores na região podem ser resultantes das mais variadas patologias. É preciso muita meticulosidade para acertar o diagnóstico, já que a região dispõe de uma complexa anatomia, composta por muitos músculos, tecidos, nervos e vasos.

Inclusive, dor no quadril pode sinalizar problemas de vários âmbitos, incluindo doenças ginecológicas, urológicas, gastrointestinais e até neurológicas. Por isso, todo levantamento do histórico do paciente precisa ser checado com cuidado.

De forma geral os atletas são mantidos afastados de suas atividades por períodos consideráveis, já que a plena recuperação pode demorar. Felizmente, na maioria dos casos, a cirurgia de quadril não se faz necessária. Os tratamentos mais comuns para lesões na região são mais conservadores. Fisioterapia intensiva, medicamentos controlados e repouso são comumente as indicações recomendadas pelo médico ortopedista especialista em quadril.

Entretanto, em casos mais graves, ainda mais se tratando de atletas, um procedimento cirúrgico pode ser a solução. Nesses casos, a artroscopia é um tratamento moderno e pouco invasivo, pois visa amenizar o desconforto causado no quadril, virilha ou púbis, com apenas uma pequena incisão sobre o local lesionado.

Lesões mais comuns em atletas

Como dito anteriormente, a região do quadril dispõe de uma complicada anatomia, já que liga duas partes distintas do corpo humano. A maioria das lesões em atletas são as extra-articulares, pois geralmente são musculotendinosas, bursites ou fraturas originadas por desgaste.

Um dos problemas mais comuns em atletas, principalmente em corredores, é a bursite de quadril. Trata-se de uma inflamação que acomete a bursa trocantérica, responsável pelo amortecimento entre osso o fêmur e o tendão do músculo glúteo médio.

A pressão exagerada sobre essa região, muitas vezes ocasionada por atividades intensas e repetitivas, pode acarretar em dor no quadril, limitação da marcha e até dificuldades no sono. Para esse problema, o tratamento mais recomendado é a fisioterapia.

Inclusive, os sintomas da bursite trocantérica são muito confundidos com os da tendinite no quadril. A diferença nesse último é que a inflamação ocorre nos tendões dos músculos glúteos. De forma geral, a dor na região lateral do quadril, que se irradia para coxa, é decorrente de excessiva força física na região.

Outra lesão muito comum em atletas é a lesão do labrum do quadril. Essa região é nada mais que uma estrutura cartilaginosa que envolve a parte interna do quadril, a qual se encaixa o fêmur.

Quando há frequentes desgastes na região, o labrum perde suas funções de absorção de impacto e lubrificação. Sendo assim, o atleta acometido pelo problema pode manifestar algum tipo de desconforto, como dor no quadril, que se irradia para virilha e na face interna da coxa. Sua incidência é maior em corredores, ou entre atletas que desempenham atividades com muita flexão e rotação do quadril, como no futebol, tênis e artes marciais em geral.

A princípio, o tratamento para essa inflamação é feito de forma conservadora, por meio de fisioterapia localizada. Entretanto, se os sintomas não diminuírem com o passar do tempo, uma cirurgia de quadril poderá ser requerida.

Inclusive, muitas vezes a lesão do labrum do quadril tem origem no impacto fêmoro acetabular, que corresponde a uma deformação no formato biomecânico do quadril que ocasiona dor inguinal (região da virilha) no atleta. Em consequência disso, o fêmur e o acetábulo (depressão da pelve) entram em contato ou deslizam de forma anormal que, por sua vez, causam problemas no labrum.

Já os amantes de futebol certamente já ouviram falar na famosa lesão muscular de adutor. Essa contração muscular acontece quando há uma sobrecarga excêntrica sobre a região do músculo adutor do quadril. De forma geral, ela ocorre durante uma atividade física, principalmente nos movimentos de chute e corrida. A famosa fisgada, que tira abruptamente jogadores de uma partida, é o sintoma mais comum. O diagnóstico é realizado por meio de um exame de toque sobre a região lesionada. Já o tratamento, felizmente é conservador, já que pode ser amenizado com medição anti-inflamatória e aplicação de gelo.

Outra lesão que tira muitos atletas de suas atividades se refere à pubalgia. A inflamação acontece no osso púbis, que ligar o adutor do quadril com os músculos abdominais. Se um desses grupos musculares é mais exigido do que outro, a sínfise púbica, articulação que liga o púbis direito e o esquerdo, acaba por se inflamar. Consequentemente, o atleta se queixará de dores na virilha e no centro do osso púbis. A melhor forma de tratamento para essa lesão é a fisioterapia.

A luxação do quadril talvez seja a lesão mais grave que um atleta pode sofrer nessa região. Inclusive, o pronto atendimento deve ser requerido com bastante urgência, já que a dor no quadril é lancinante. Isso se deve, sobretudo, ao deslocamento da cabeça do fêmur para trás.

Em decorrência disso, o acetábulo pode ser fraturado, bem como a própria parte superior do fêmur. Outro agravante da luxação é a compressão do nervo ciático, que causa ainda mais dor para o atleta lesionado. De forma geral, essa grave contusão é proveniente de uma forte queda. No futebol isso ocorre depois de uma falta violenta. Nesse caso, a cirurgia é o único tratamento indicado pelo médico ortopedista especializado em quadril.

Além dessas lesões em atletas, existem outras que são menos frequentes, tal como a síndrome do ressalto (contato entre tensão do músculo ílio-psoas e cabeça femoral) e a lesão do ligamento redondo. Diante de tantas lesões, que causam quase sempre o mesmo sintoma de dor, a principal recomendação é a busca por um bom médico ortopedista especializado em quadril.