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O que é?

A necrose da cabeça femoral, também conhecida como osteonecrose, é uma doença que causa a morte de uma ou mais células na cabeça do fêmur por conta de uma interrupção sanguínea na região; dessa forma o osso sofre micro fraturas, fazendo com que ocorra artrose. A patologia pode ocorrer em qualquer parte óssea do corpo, mas é muito mais comum ocorrer nos quadris e no joelho. O processo de desenvolvimento da doença gira em torno de três a cinco anos, período em que ocorre a destruição da articulação.

Quais as causas?

Uma das causas mais comuns para osteonecrose da cabeça femoral é o consumo exacerbado de álcool e o uso abusivo de corticoides, sendo responsável por cerca de 80% dos casos da doença, isso ocorre pois um dos fatores colaterais dos corticoides é a obstrução dos pequenos vasos que irrigam o fêmur. Algumas características menos importantes podem aumentar a chance de tê-la, como ter entre 40 e 60 anos ou fumar.

Outros fatores estão ligados a osteonecrose, como diabetes, anemia, artrose no quadril, fratura do fêmur, doença de gaucher, Lúpus, pancreatite, quimioterapias e diálise. Apesar de homens e mulheres estarem sujeitos a desenvolver a doença, os homens tem oito vezes mais chances de desenvolvê-la quando se trata de alcóolatras, ao passo que mulheres têm mais chances de desenvolver se forem diagnosticadas com Lúpus sistêmico.

Quais os sintomas?

Entre os vários sintomas, a dor é o principal deles, por conta do achatamento provocado pela erosão do osso. No início, a pessoa pode sentir dor no fêmur medial somente enquanto está de pé e durante os movimentos (como caminhar ou subir escadas); conforme a doença evolui, é possível sentir dor na cabeça do fêmur também, mesmo durante o repouso.

Em algumas ocasiões, a mobilidade pode ser reduzida por conta da dor no quadril, que pode ser sentida nos casos de necrose da cabeça femoral mais aguda. Vale salientar que a osteonecrose pode ser bilateral entre 60% e 80% dos casos, ou seja, há chance de ocorrer em ambos os fêmures. O tempo de desenvolvimento dos sintomas pode variar entre poucos meses e um ano, de modo que no começo é complicado fazer o diagnóstico por conta da ausência deles.

Como é feito o diagnóstico?

Para o diagnóstico, o paciente deve separar uma lista dos sintomas apresentados, realizar um breve relato dos afazeres diários e levar o histórico médico familiar e pessoal dele. O ortopedista especialista em quadril irá analisar todos esses dados e se atentar ao exame físico, onde ele pede ao paciente que realize uma série de movimentos para identificar onde de fato a dor é sentida. Essa etapa é muito importante para confirmar os sintomas e chegar o mais próximo possível de um resultado.

Ainda assim, se não for possível chegar a um diagnóstico confiável, é possível que o ortopedista especialista em quadril peça alguns exames de imagem, como radiografias para determinar se o osso da cabeça femoral sofreu alguma lesão e qual o grau dela. Outro exame usado para ajudar no diagnóstico, é a ressonância magnética, pois ela pode mostrar a doença em uma fase mais precoce.

Quais as opções de tratamento?

Há dois tipos de tratamento, o tratamento conservador (sem a necessidade de operação) e o tratamento cirúrgico. A recomendação de qual seguir deve der determinada pelo médico de acordo com a avaliação dele sobre o paciente.

O tratamento conservador é feito à base de repouso, afastamento do trabalho (se necessário), uso de medicamentos como vasodilatadores, anticoagulantes, analgésicos e anti-inflamatórios. Alguns aparelhos ortopédicos podem auxiliar no repouso da articulação, como bengalas ou muletas. O médico pode indicar ainda sessões de fisioterapia para fortalecer a musculatura e eletrochoque para ativar a articulação e liberar os vasos sanguíneos.

Contudo o tratamento conservador é muitas vezes ineficaz, fazendo-se necessário o tratamento cirúrgico. Uma das opções é o tratamento de descompressão do osso, que visa descomprimir os vasos sanguíneos facilitando o fluxo sanguíneo e diminuindo a dor e o edema na região. Outra opção é a osteotomia, que consiste em realizar um pequeno corte no fêmur, removendo a parte óssea afetada e logo em seguida a cirurgia de enxerto vascularizado, dando suporte ao osso lesionado.

Entretanto, para os casos mais graves, a única solução é realizar a artroplastia total da cabeça do fêmur, que consiste em colocar uma prótese feita de plástico ou metal. Esse tipo de cirurgia evoluiu muito nos últimos anos, de modo que a osteonecrose é responsável por cerca de 10% de todas essas cirurgias.

Informações de recuperação e pós-operatório

No caso de cirurgia, o processo de reabilitação é muito importante, pois ele depende de uma série de fatores, como a fisioterapia leve logo após o paciente ser liberado do hospital (o que deve ocorrer entre três e seis dias após a cirurgia), manter uma alimentação saudável rica em nutrientes e realizar o devido repouso. Se tudo der certo, o paciente pode retomar as atividades normais entre 6 e 10 meses.